• World congress on Brain, Behavior and Emotions

    Importante congresso internacional no qual neurocientistas nacionais e internacionais discutirão temas atuais relevantes na área das neurociências.
    A equipe do PROATA, a que faço parte, irá apresentar 3 trabalhos sobre cognição e compulsão alimentar.
    Eu levarei meu trabalho sobre funções executivas e transtorno de compulsão alimentar: revisão sistemática da literatura e metanálise.

  • O Arquétipo do Puer Aeternus na Atualidade: onipotência e complexos narcísicos

    Este curso , que estou participando, objetiva propiciar o entendimento da psicodinâmica do Puer Aeternus (o jovem eterno) e oferecer subsídios ao manejo clínico de pacientes fixados nessa dinâmica.

    Estão sendo discutidos aspectos como: o sujeito da atualidade e o enfraquecimento da função paterna e de ideais condutores da energia psíquica, o desenvolvimento do narcisismo segundo Heinz Kohut, o amadurecimento humano segundo Donald Winnicott, caracterização do arquétipo do Puer Aeternus em seus aspectos positivos e negativos e em relação com a polaridade Senex (o homem velho), os complexos narcísicos negativos, frustração e violência em vínculos imaturos e possibilidades de alteridade, amadurecimento e transformação do narcisismo na análise.

    Docente: Roberto Rosas Fernandes (SBPA-SP)
    Realmente enriquecedor!

  • Congresso Junguiano IJEP

    Evento online e com valor acessível!! Ótima oportunidade de refletir sobre temas importantes sob a ótica da psicologia analítica!

  • International Neurophychogical Society 45th Annual Meeting

    Congresso Internacional da Sociedade Internacional de Neuropsicologia.
    Eu estive presente e apresentei um trabalho realizado com a equipe do PROATA entitulado: The Effects of Noninvasive Brain Stimulation on Executive Function in Binge Eating Disorder: A Pilot Study.

  • Simpósio sobre compulsão alimentar do PROATA/UNIFESP

    O PROATA (ambulatório de transtornos alimentares) da UNIFESP realizará dia 01.07.2017 um simpósio multidisciplinar sobre o que há de atualizado a respeito de compulsão alimentar. Para mais informações acesse: www.cepp.org.br

    Eu darei uma aula sobre transtorno de compulsão alimentar e cognição!

  • 2016 30 Agosto

    Contribuições da Psicologia Analítica para a psicoterapia breve

    Aula que eu irei ministrar na Faculdade de Psicologia da Anhanguera-Bauru!
    Maria Elisa

  • 2016 12 Setembro

    A conjugalidade como pedra e caminho para a individuação

    Neste encontro, no qual eu estive presente, a analista Deusa Rita Tardeli Robles abordou a força e o papel da conjugalidade, como expressão do arquétipo da coniunctio, no processo de individuação dos cônjuges, uma vez que um de seus pressupostos inequívocos diz respeito ao impacto permanente que as relações humanas de convivência íntima têm umas sobre as outras.

    A monografia discute a transformação, que pode ser vista simbolicamente como processo de individuação da própria conjugalidade, abordando três dinâmicas muito comuns em terapia de casal: relações simbióticas, relacionamentos de competitividade e relações de dinâmica narcísica.

    A analista associou os processos alquímicos às etapas comumente presentes na terapia de casal, concluindo que a conjugalidade pode ser pedra e, ao mesmo tempo, caminho para o processo de individuação, não como fórmula para uma boa convivência, mas sob nova ética que privilegie a integridade de cada um.

    M. Elisa

  • 2016 17 Novembro

    Fundamentos e atualizações da avaliação neuropsicológica e possíveis correlações entre Neurociências e Psicologia Analítica

    Mini Curso que eu ministrei na Mostra de Psicologia da USC!
    Um espaço de troca para falar da incrível interconexão entre neurociências e psicologia analítica!

  • A diferença entre comer de forma compulsiva e comer em excesso.

    O que é um episódio de compulsão alimentar?

    Muitas pessoas têm duvida se o jeito que comem é compulsivo ou não. E realmente não é tarefa muito fácil esta distinção. Comer de forma compulsiva é diferente de comer de forma excessiva!!

    Um episódio de compulsão alimentar é caracterizado sempre pelos dois seguintes aspectos:

    1. Ingestão, em um período determinado de tempo (p.e., dentro de cada período de 2 horas), de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria no mesmo período sob circunstâncias semelhantes

    • E assim, não é comer o dia todo!! E não é só quando vamos a alguma festa, rodizio ou evento diferente onde é compreensível uma ingesta maior de alimentos. Sempre pense se outra pessoa da mesma faixa etária e condições semelhantes de vida, comeria a mesma quantidade ou não!

    2. Sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio (p.e., sentimento de não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto está se ingerindo).

    * E assim, não é quando comemos muito porque queremos. Precisa ter esta sensação de descontrole!

    Além disso, é importante se atentar a outras características:

    Os episódios de compulsão alimentar estão associados a três (ou mais) dos seguintes aspectos:

    1. Comer mais rapidamente do que o normal;
    2. Comer até se sentir desconfortavelmente cheio;
    3. Comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física de fome.
    4. Comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo.
    5. Sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido ou muito culpado em seguida.

    Além disso, há um sofrimento marcante em virtude da compulsão alimentar e os episódios de compulsão alimentar ocorrem, em média, ao menos uma vez por semana durante três meses.

    Mas qualquer diagnóstico só pode ser realizado por um profissional habilitado para tal! Se você está em sofrimento, procure ajuda!

    M.Elisa

  • Padrões estéticos e desconexões

    Padrões estéticos e desconexões

    Conversa com alunos de Jornalismo da UNESP.

    Há muito tempo as mulheres são sistematicamente submetidas a um forte apelo pela valorização da estética.
    Nos deparamos com revistas, propagandas, outdoors, desfiles de moda e agora mais do que nunca, imagens postadas com uma velocidade incessante nas redes sociais, onde o que se sobressai é aquilo dito belo, é o corpo esguio, com curvas, mas sem dobras. Até as princesas dos contos de fadas, as bonecas, as personagens de quadrinhos, as super-heroinas - são em sua grande maioria, retratos deste padrão estético estreito e excludente. Muito se é falado sobre “a ditadura da beleza”. Etimologicamente, a palavra ditadura tem sua origem no latim dicere, que significa falar, dizer ou contar. O verbo ditar, com o significado de pronunciar em voz alta, também tem o significado de impor condutas ou ideias, determinar, prescrever.
    Ditam-se regras, ditam-se moldes, ditam-se como se deve agir, como se deve vestir, como se deve enfim, ser. O coletivo passa a suplantar o individual. A busca pelo encaixe desenfreado ao padrão de beleza vigente na nossa sociedade, faz com que olhemos muito menos para nós mesmos, para o que fica bom para cada um. E assim, o espelho que nos reflete mostra aquilo que achamos que devemos ser, mas não o que somos. Olhamos mais para a imagem postada e de preferência curtida do que para a própria imagem. E com isso, nos desconectamos do que é a essência de cada um.
    E neste movimento, o padrão alimentar também sofre com esta alta demanda. Hoje somos inundados pelos “anti”- antienvelhecimento, antidade, anticelulite- e pelos “sem”- sem glúten, sem lactose, sem açúcar, sem gordura.
    O ato de restringir os alimentos tem início geralmente na adolescência, em resposta a uma má aceitação das mudanças corporais, principalmente do peso, e, associado a fatores psicológicos individuais e familiares.
    Sabe-se ainda, que o forte apelo sociocultural do culto à magreza, é um dos fatores que predispõe a um transtorno alimentar.
    E obviamente que a preocupação com a saúde, o auto cuidado, a vaidade, são aspectos positivos e que garantem uma auto estima mais elevada. Isso só torna-se um ponto negativo quando há uma supervalorização desses aspectos. O problema não é termos uma padrão de beleza, pois em toda época, desde os tempos mais antigos, existe algum tipo de padrão vigente. A complexidade é quando este padrão, que é o que acontece atualmente, é rígido, segregador e no qual o ideal de beleza é muito distante da realidade da maioria das pessoas. E assim, quando o ideal se distancia muito do real, ou do possível, gera sentimentos de frustração, baixa auto estima, insegurança e vergonha. E o que acontece quando as pessoas se deparam com tais sentimentos? Correm para as academias, centros de estética, de shakes, buscam orientações virtuais, debruçam-se sobre dietas de gaveta. E o ciclo está instalado, pois os sentimentos difíceis vão aparecer de novo. Pouco buscam entender o que está por trás de tamanha insatisfação.
    Vemos na contemporaneidade que o investimento excessivo no corpo atua de modo a esconder a fragilidade e a angústia. Uma forma de compensar a incapacidade de responder às demandas do mundo externo e interno. Quantas vezes ouvimos pessoas dizerem “a academia, a massagem, é uma terapia pra mim”. Vemos nosso oficio como psicoterapeutas serem “preenchidos” pelo professor da academia, pela massagista, pela manicure. Nada contra os momentos de descontração, mas psicoterapia mesmo, não é isso. É ir além.
    Enfim, diante de tantos estímulos, informações, de “deve-se”, e “seja”, o melhor caminho, como minha avó diria, é ter bom senso.

    M.Elisa

  • Revista Junguiana n 34 disponível online

    A revista Junguiana N 34 da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica está disponível online!
    Um excelente oportunidade de acessar artigos de grandes profissionais da área da Psicologia Analítica que refletem sobre diferentes temas.
    Um dos temas desta edição é sobre a Corrupção no Brasil, sob a ótica da abordagem analítica.
    Recomendo a leitura!

    http://sbpa.org.br

  • A conjugalidade como pedra e caminho para individuação

    Nesta palestra, a qual eu estava presente, a analista da SBPA Deusa Robles discursou sobre seu estudo acerca da conjugalidade, tipos de dinâmicas encontradas nos casais atendidos, ampliações com a mitologia e a alquimia.
    De acordo com Robles, a dificuldade de manter uma relação está muito ligada à construção da própria identidade.
    No início de toda relação, os pares sentem necessidade de agradar um ao outro e querem ser vistos da melhor forma, querem passar a sua melhor versão. Assim, há o predomínio da persona, que para a psicologia analítica é imagem que o indivíduo mostra externamente, a forma como deseja ser visto, em sua relação com o mundo.
    Com o tempo e com a intimidade, é possível que a liberdade e espontaneidade se expressem, ou que cada um se estagne em suas problemáticas, tornando a relação pouco construtiva.
    Robles percebe três dinâmicas que se repetem, a saber:
    A simbiótica: na qual há uma fusão das psiques, padrão de consciência indiferenciado, urobórico, onde a ausência do outro é vivenciada como insuportável, como vazio. Há uma sobreposição dos campos psíquicos. Na prática são casais que passam a ter os mesmos amigos, as mesmas atividades, onde um não admite que o outro esteja bem sem ele.
    A narcísica: pode ser entendida pelo mito Eco e Narciso, onde ambos são polaridades de um mesmo arquétipo. De um lado, há a pessoa Eco, que reclama, se queixa, sente-se desvalorizada, fica cansada por não haver mudança, mas o que fala para o parceiro é inaudível. Já a pessoa tipo Narciso não vê os problemas como sendo seus, não percebe seus erros e não achaa que precisa mudar. Nesta dinâmica, os campos psíquicos se tocam mas não se conectam. Exemplo: homens do tipo narciso, exigem que a mulher siga um padrão de beleza.
    A dinâmica de competitividade: são relações onde há predomínio do poder. E Jung dizia, que o oposto do amor é o poder e não o ódio. São casais com pouca afetividade , onde um enfatiza a fragilidade do outro e há pouco espaço para sentimentos de admiração e gratidão.
    É fundamental e é um dos pontos que deve ser trabalhado na psicoterapia, que cada um dos pares consiga aos poucos, expor a sua própria sombra, ou seja seus aspectos difíceis, seus "defeitos" , suas fragilidades. A sombra revelada pode levar a uma leveza, é um espaço para o outro entender o parceiro, entender sua autenticidade. E assim, é necessário que menos energia psíquica seja gasta tentando esconder quem se é.
    Relações e casamentos trilhados em seus percalços e pedras, são um possível caminho pra individuação.

    M.Elisa

  • Para sempre Alice

    Neste dia Mundial da Conscientização sobre a Doença de Alzheimer (21.09.2016), relembro o filme, que vale a pena ser visto, “Para sempre Alice”, que conta a historia de uma linguista de sucesso que é diagnosticada com Alzheimer de início precoce.

    A Doença de Alzheimer (DA) é multifatorial. Há interação de predisposição genética e fatores socioambientais. O principal fator socioambiental é a idade. Acima de 65 anos a chance de qualquer indivíduo ter algum tipo de demência aumenta de forma significativa . A DA é a mais comum, responsável por 50 a 60% dos casos de demência em idosos
    Além da idade, há outros fatores como nível educacional, o desempenho intelectual ao longo da vida, fatores de risco clínicos como hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, sedentarismo. A importância da educação seria por si só, tema para um longo debate.

    O neuropsicólogo por sua vez, pode avaliar e diferenciar perfis cognitivos compatíveis com a DA. Sabe-se por exemplo que na fase leve da doença, a memória episódica, a memória operacional, a linguagem de nomeação, habilidades visuoespaciais e visuoconstrutivas estão comprometidas.

    Abaixo segue o texto escrito por Contardo Calligaris à Folha em 12.03.2015, sobre o filme “Para sempre Alice”.

    “Quando eu era menino, não se falava em alzheimer. As pessoas idosas "perdiam a cabeça" por causa, dizia-se, da arteriosclerose. Será que era alzheimer?

    Estudos recentes mostram que a esclerose no polígono de artérias que suprem o cérebro é um fator facilitador para o mal de Alzheimer. A fronteira entre o mal e as "outras demências" é incerta.

    Segundo o site www.alzheimers.org, 5 milhões de norte-americanos com 65 anos ou mais vivem com a doença.

    Proporcionalmente, o Brasil deveria ter 3 milhões de pessoas sofrendo de alzheimer. Mas os números, aqui, são incertos: segundo o Instituto Alzheimer Brasil, na ausência de dados seguros, "podemos estimar que 1,2 milhão de pessoas sofram com a doença, cerca de 100 mil novos casos por ano".

    Bom, o alzheimer afeta os idosos, e, no Brasil, a vida é mais curta do que nos EUA. Além disso, é provável que, fora dos centros urbanos e nas classes menos favorecidas, o mal seja subdiagnosticado.

    Afinal, não existe um marcador do alzheimer; portanto, não há um simples teste que permita diagnosticá-lo claramente (a não ser depois da morte do paciente, na hora da autópsia), e o diagnóstico clínico passa por uma bateria de testes de memória administrados e interpretados, em tese, por um neuropsicólogo.

    Seja como for, calcula Drauzio Varella: "Para quem chegou aos 65 anos, o risco futuro de surgir Alzheimer é de 12% a 19% no sexo feminino; e de 6% a 10% nos homens".

    Mais um fato: numa minoria de casos (menos de 5%), o Alzheimer se manifesta antes dos 65 anos (às vezes aos 50, aos 40 ou mesmo aos 30). Nesses casos, a doença é genética (e existe um teste para identificar o gene responsável por ela).

    Embora medicamentos e condutas possam atrasar sua progressão, o mal de Alzheimer não tem cura. E, envelhecendo, todos espreitam sua aparição com inquietude.

    É possível temer o alzheimer mais do que a morte. Imagine uma tortura em que, a cada dia, são recortados alguns pedaços do seu corpo; ao longo desse suplício, continuaríamos sendo nós mesmos, até que perderíamos a consciência e a vida.

    Pois bem, a progressão do Alzheimer, recortando memórias, não oferece essa garantia, mas confronta sua vítima com a pergunta incessante: "Quando deixarei de ser eu?".

    O paciente de alzheimer é obrigado a filosofar sobre os limites da pessoa humana.

    Se não consigo me lembrar de minha vida, se não reconheço mais os rostos ao redor de mim; se, no meio de uma ação, esqueço-me das intenções que a motivaram, o que me permite dizer que eu ainda sou eu?

    As brincadeiras sobre os pequenos esquecimentos cotidianos dos idosos mal escondem nosso medo de perder nossa história e a familiaridade de nossos afetos.

    Com alguns amigos, aliás, praticamos uma espécie de exorcismo: quando um de nós esquece uma data, as chaves, o celular etc., o outro questiona: qual é mesmo o nome daquele médico alemão?

    Quando alguém se pergunta: "quem é esta pessoa que acaba de acordar do meu lado e me faz carinho?", a situação só é engraçada para esconder o horror desse estranhamento.

    Circulam piadas sobre as "vantagens" da demência. Se não me lembro do passado e não tenho futuro, o que vai importar, por uma vez, será o meu presente, não é?

    Ou ainda: o esquecimento de nossos atos é o sonho de qualquer neurótico –que culpa tenho eu, se não sou o mesmo do ontem? Não seria maravilhoso viver cada experiência como se fosse a primeira vez?

    É um bom jeito para não pensar na angústia de quem, parado na padaria da esquina, não reconhece o caminho de casa. Ou de quem se pergunta porque quis tanto telefonar e está agora com o controle remoto da TV na mão.

    Lisa Genova é doutora em neurociência pela universidade Harvard, mas sua paixão é a ficção.

    No passado, escreveu "Nunca Mais, Rachel" (Nova Fronteira, R$39,90, 287 págs.), que conta a história de uma mulher depois de um acidente cerebral.

    E, em 2007, publicou "Still Alice", ou "Para Sempre Alice" (também Nova Fronteira), que conta a história de uma mulher diagnosticada com alzheimer precoce. O livro é hoje um filme, de Richard Glatzer, com Julianne Moore no papel de Alice (que lhe deu o Oscar de melhor atriz em 2015).

    O livro e o filme são ambos imperdíveis, porque o "tour de force" de Genova consiste em contar a história na terceira pessoa, mas realmente na perspectiva de Alice.

    Graças a ela, enxergamos, por uma vez, uma experiência e um sofrimento com os quais em geral, preferimos brincar.

    M.Elisa

  • O Arquétipo do Puer Aeternus na Atualidade: onipotência e complexos narcísicos

    No curso “ O Arquétipo do Puer Aeternus na Atualidade: onipotência e complexos narcísicos”, ministrado por Roberto Rosas Fernandes (SBPA-SP), em agosto deste ano, pontos importantes foram discutidos para se pensar na prática clínica e no contexto ao qual estamos inseridos.
    O arquétipo do Puer Aeternus (o Jovem Eterno) é um dos arquétipos estruturantes da personalidade. Possui como todo arquétipo, duas polaridades. A criativa, que consiste em ideias revolucionárias, criativas, desejo pelo novo, por descobertas. E o defensivo, caracterizado por falta de compromisso, falta de responsabilidade, dificuldade com normas e exigências do mundo social.
    Problemas no dinamismo matriarcal dão origem a feridas narcísicas. Um desenvolvimento no qual há fixação na dinâmica matriarcal e pouca estruturação do princípio patriarcal, (que o conduziria à transformação necessária para alcançar a consciência de alteridade) pode implicar em desenvolvimento regido pelo arquétipo do puer em seu caráter defensivo. São pessoas que não querem ter compromissos e vivem seu mundo a seu bel-prazer. A onipotência impera e frustrar-se é extremamente difícil.
    Hoje nos deparamos com uma geração de pessoas nomeadas como geração “nem nem”, ou seja, nem estudam e nem trabalham e não tomam para si as responsabilidades de suas vidas.
    Jung descreve esta problemática:
    “O Homem que amadurece precisa assimilar o complexo parental, isto é, a autoridade, o sentido de responsabilidade e a autonomia. Deve tornar-se, ele próprio, também pai ou mãe.” (Jung, A energia psíquica.).
    Como bem coloca Fernandes, estamos vivendo em uma época em que o narcisismo é exuberante e a imagem importa mais que o sentimento, uma “sociedade do espetáculo”. Lembrando que o narcisismo em si, não é patológico, mas sim a unilateralidade no seu polo defensivo.
    Nos tempos atuais , neste mundo globalizado , virtual e digital, é mais importante para o sujeito que sua imagem seja refletida e idealizada pelo olhar alheio, garantindo aparentemente sua auto estima.
    Mas desta forma, sua autenticidade e a totalidade encontram-se fragilizadas. O narcisismo defensivo nos aprisiona ao olhar do outro. Sendo que o olhar do outro, é o outro dentro de mim.
    A psicoterapia é um caminho possível para a transformação do narcisismo defensivo em criativo.

    Maria Elisa

  • Transtornos alimentares: o que são?

    O que são os transtornos alimentares?

    Transtornos Alimentares (TA) são um conjunto de síndromes caracterizadas por uma perturbação na relação do indivíduo com a alimentação.

    São doenças que causam graves alterações na maneira como as pessoas se alimentam e nos pensamentos e sentimentos relacionados à alimentação.

    Os indivíduos que têm estes tipos de quadros geralmente preocupam-se de maneira exagerada com a alimentação, com seu peso e a forma corporal e tomam medidas extremas em resposta a estas preocupações.

    Os principais transtornos alimentares são a Anorexia Nervosa , a Bulimia Nervosa e o Transtorno de Compulsão Alimentar.

    A Anorexia nervosa caracteriza-se de uma forma geral por um comportamento voltado para produzir perda de peso, ou seja, a perda de peso é intencional às custas de dietas extremamente rígidas com uma busca desenfreada pela magreza; medo intenso de engordar e auto avaliação excessivamente baseada no peso e na forma corporal.

    Na Bulimia nervosa há também preocupação com peso e medo de engordar e uma auto avaliação baseada no peso e forma física, no entanto caracteriza-se também pela presença de episódios de compulsão alimentar ( que é a ingestão de uma grande quantidade de alimentos com sensação de perda de controle, em um curto período de tempo), seguidos por comportamentos compensatórios inapropriados para controle do peso (vômitos, laxantes, diuréticos, exercícios físicos em excesso)

    No Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA) a pessoa apresenta episódios de compulsão alimentar mas sem comportamentos compensatórios presentes na Bulimia Nervosa

    Os transtornos alimentares são cada vez mais foco da atenção dos profissionais da área da saúde. É reconhecido na literatura científica e corroborado na minha prática clinica que estes transtornos são quadros de natureza complexa, de curso longo (evolução lenta) e de prognóstico reservado, além de apresentarem significativos graus de morbidade e mortalidade.
    Estão associados também a uma variedade de sintomas que acarretam um prejuízo pessoal e social para a pessoa acometida.

    O tratamento, por sua vez, apresenta-se igualmente complexo e comprovadamente, para ser realmente eficaz, deve ser realizado por uma equipe interdisciplinar contendo psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, nutrólogos, endocrinologistas e terapeutas ocupacionais.
    Se você passa por alguma situação semelhante às descritas acima, não hesite em buscar ajuda profissional. Quanto mais cedo estes transtornos são diagnosticados e tratados, melhor é o prognóstico e possibilidade de melhora.

    Maria Elisa Gisbert Cury

  • A importância da avaliação neuropsicológica no idoso

    A importância da avaliação neuropsicológica no idoso

    Este final de semana (21 e 22 de maio) participei de um curso de atualização em neuropsicologia (IV NEUROPSICOLOGIA NA PRÁTICA CLÍNICA) com nomes importantes da área como Leandro Malloy-Diniz, Dra Cândida Camargo e Dr. Paulo Mattos.

    Um dos temas discutidos foi a importância da avaliação neuropsicológica na velhice.

    Nesta fase da vida, a avaliação neuropsicológica pode ser feita por exemplo para:

    1.Diferenciar envelhecimento normal e patológico
    2.Diferenciar quadros de depressão e quadros de demência
    3.Avaliar déficits cognitivos após AVC, traumatismos cranianos

    É assim, um exame complementar que pode ser um instrumento útil na avaliação global do paciente idoso, permitindo ao clínico geral, psiquiatra, neurologista ou geriatra obterem informações que subsidiem tanto o diagnóstico etiológico do quadro em questão quanto o planejamento e execução das medidas terapêuticas e de reabilitação a serem realizadas em cada caso.

    M.Elisa

  • Psicoterapia breve e psicologia analítica: um caminho possível

    Muito é questionado se é possível a realização de um processo terapêutico breve na abordagem junguiana.
    Há bons estudos indicando que sim, é possível.
    O trabalho com a psicoterapia breve na psicologia analítica, segue alguns preceitos semelhantes a de toda psicoterapia neste enquadre, ou seja, é considerado um processo terapêutico que tem como objetivo o desenvolvimento do trabalho em um espaço de tempo menor.
    Além da questão do tempo , entende-se também como um processo focal, em que a atenção e o trabalho são focados em determinado conflito.
    Tanto a brevidade do processo quanto a sua focalização são determinados previamente entre psicoterapeuta e paciente durante a realização do contrato terapêutico.
    Junto a estes princípios básicos, o trabalho breve também é realizado seguindo os conceitos da psicologia analítica. Um dos principais objetivos é o fortalecimento do Ego (centro da consciência) para que o mesmo possa integrar imagens internas que anteriormente estavam dissociadas. O inconsciente também é uma noção básica nesta abordagem. Trata-se daquela parcela da realidade psíquica que não pode ser diretamente observada, descrita, mensurada ou conceituada, à qual, no entanto, Jung atribuiu importância fundamental, considerando-a como uma “camada viva, criativa, a germinar em cada um de nós”, fonte de potenciais e de criatividade. O inconsciente tanto pessoal, quanto coletivo, se expressa através de símbolos que podem ser acessados pelas técnicas expressivas. Assim, entendo que trabalhar na modalidade breve com abordagem junguiana é trabalhar a nível consciente, inconsciente e utilizar técnicas expressivas que facilitem a focalização na terapia e agilização do processo.
    Todas as técnicas, desde que realizadas de maneira séria e responsável, podem ser utilizadas em um processo breve. Alguns autores consideram algumas técnicas mais focais, uma vez que centram a pessoa na tarefa. A escolha da técnica mais adequada vai depender da familiaridade de cada profissional com a mesma e também do caso que está sendo atendido. Eu acredito ser fundamental o uso destas ferramentas como forma de facilitar a expressão da linguagem simbólica do inconsciente e estimulação do potencial criativo no individuo.
    Dentro da abordagem da psicologia analítica há um arsenal bastante rico de técnicas expressivas criativas. Algumas destas técnicas são: sandplay, trabalho com sonhos, tipos psicológicos, imaginação ativa e diretiva, uso de material criativo como desenho e argila. Na minha prática costumo utilizar com maior frequência os sonhos, sandplay e as de imaginação.
    É importante enfatizar que em qualquer tipo de modalidade, seja breve ou não, não há fórmulas prontas, não há soluções mágicas, nem respostas dadas. É preciso que o paciente entenda, e nós terapeutas devemos ajuda-lo com isso, que o processo psicoterapêutico, demanda de ambos, terapeuta e paciente, profundo comprometimento e seriedade.

    M. Elisa

  • Não fomos educado para ouvir

    Não fomos educado para ouvir

    por Monica Aiub

    "Ser um bom ouvinte requer atenção"


    É assunto comum no consultório de filosofia clínica a constante cobrança para que falemos, para que nos posicionemos e, ao mesmo tempo, a ausência de espaços nos quais possamos ser ouvidos de fato. Parece algo contraditório, mas assim ocorre para muitas pessoas. E quais seriam os motivos disso?

    Vivemos numa sociedade cada vez mais individualista, cada qual voltado para si mesmo. Vivemos, como já denunciava Kant em 1788, na Crítica da Razão Prática, uma patologia social, a mania do eu. Ao mesmo tempo, somos formados - tanto através da escola, das famílias, como também e principalmente a partir dos meios de comunicação - para buscarmos o reconhecimento, a valorização social e, por isso, incentivados a mostrar o que está em nós; mais do que mostrar quem somos, a tornar pública nossa intimidade, uma vez que, nesta perspectiva, devemos nos considerar sempre os vencedores, os melhores, aqueles que tudo sabem (ainda que não saibamos).

    Expor-se, colocar-se tornou-se uma espécie de vitrine, na qual nos apresentamos como um produto que será mais ou menos valorizado de acordo com determinados critérios, que em geral atendem a necessidades de mercado. Veja que contradição: ensimesmados, porque voltados para nós mesmos, mas perdidos de nós mesmos, de nossa subjetividade, de nossa identidade pessoal; padronizados de acordo com critérios traçados externamente, mas distantes de um convívio legítimo com o outro.

    Além disso, uma boa parte de nossas relações passou a ocorrer via web, onde enviamos imagens, textos, mas raramente conversamos de fato. É bastante comum nos meios virtuais, bloquearmos, deletarmos todo aquele que pensa diferente de nós. E então o diálogo não ocorre. Não sabemos os motivos pelos quais o outro pensa diferentemente de nós, não acompanhamos seu raciocínio. Simplesmente o consideramos um "idiota" por não pensar como nós, e o excluímos. Fechamo-nos em grupos que apenas ratificam nossa forma de pensar, acreditando que ela é fruto de um brilhantismo inato, de uma genialidade absoluta. Se não há diálogo, não há trocas, nos fechamos em nós.

    Para ouvir é preciso disposição, sair de si mesmo, abrir-se ao outro, acompanhar sua fala e seu pensamento. De um lado, temos pressa. Quantas vezes você tentou conversar com alguém, e antes mesmo que chegasse à metade da frase que pretendia pronunciar, a pessoa já havia completado o que você pretendia dizer; ou disse: "Já sei!", apresentando uma solução para um problema que você jamais enunciaria; ou ainda, iniciou uma briga por causa de algo que, supostamente, você iria dizer. E quantas vezes você ouviu alguém dizer: "deixe de enrolação, fale logo!". Parece que não temos tempo para ouvir, para pensar, para conversar de fato.

    Mas esse não é o único problema. Temos uma tendência a ouvir apenas o que ratifica nosso pensamento. Quando alguém chega com uma ideia diferente, muitas vezes não conseguimos ouvir, e muitos, nesta situação, ficam, o tempo inteiro, querendo retrucar, convencer o outro de que ele está errado. Às vezes, aparentamos ouvir, olhando para o outro atentamente, mas estamos mais ocupados com nossos próprios pensamentos, elaborando como vamos convencer o outro a aceitar nossa posição. Há, ainda, a desatenção, a ausência diante do outro. Você já conversou com alguém que olha atentamente para a tela de seu celular ou computador e mal escuta o que você diz? Responde sim ou não sem saber ao certo de que se trata, apenas para continuar sua atividade paralela? Estes são apenas alguns dos pontos que dificultam a escuta. Não somos educados para ouvir, somos instigados a falar, mesmo que não tenhamos sobre o quê falar.

    Bom ouvinte: ouvir sem julgar

    Ser um bom ouvinte requer atenção, disposição para compreender, para acompanhar o outro em seus pensamentos, para pensar junto com o outro. Não significa, necessariamente, estar calado, mas, principalmente, silenciar seus pensamentos e tentar escutar, de fato, o que o outro diz. Significa, também, perguntar, sempre que necessário, o que o outro quis dizer, para certificar-se de estarem ambos, falante e ouvinte, referindo-se aos mesmos elementos. A linguagem pode ser significada de diferentes maneiras, varia de acordo com os contextos, com o vivido dos falantes e ouvintes, então, buscar clareza para melhor compreender é uma característica de um bom ouvinte. E o que me parece mais importante: em caso de discordância, perguntar ao outro como ele chegou àquela conclusão, o que o faz pensar daquela maneira, pois acompanhando o processo de construção de uma ideia, fica muito mais fácil compreender os motivos pelos quais ela faz ou não sentido. Por que razões podemos ou não aceitá-la. Contudo, a principal característica de um bom ouvinte parece ser a capacidade de ouvir sem julgar, sem querer impor ao outro a sua forma de ser, pensar ou sentir. É, em outras palavras, ser capaz de compreender e provocar a pensar.

    Ouvir pode trazer benefícios. Aprendemos com nossa experiência, com nossas descobertas, mas também com as experiências e descobertas de outros. A escuta nos proporciona acesso a outras formas de pensar, de sentir, de viver, que são diferentes das nossas, e isto pode ampliar nossas possibilidades. Meu trabalho com filosofia no consultório é basicamente a escuta, o pensar junto com o outro. Isso, em grande parte das vezes, auxilia aquele que me procura. Mas confesso que eu mesma aprendo muito com cada pessoa que me conta suas questões, suas histórias de vida, suas formas de ser. É como conhecer diferentes universos: alguns encantadores, outros surpreendentes, alguns, ainda, assustadores.

    Além disso, ouvir nos possibilita compreender melhor, evitar os equívocos, as disputas por falta de entendimento. Ouvir, ainda, nos dá elementos para que possamos nos posicionar melhor no mundo. Ouvir primeiro, decidir depois, pode ser de grande valia em muitas situações. Acredito que se nos permitíssemos ouvir mais, muitos de nossos problemas não existiriam.

    Contudo, é preciso exercitar para ser um bom ouvinte, pois isso implica em suspender seus julgamentos, suas verdades prévias, não tirar conclusões apressadas. É preciso acompanhar o outro em seus pensamentos, pensar junto com ele, para, somente então, questionar, posicionar-se, não como simples oposição, mas também apresentando ao outro os motivos pelos quais pensa desta maneira. Isto é diálogo! Algo de que tanto carecemos, ainda que não paremos de falar um só instante.

    Vya Estelar

  • A psicoterapia como o Cuidado com a Alma

    Este é trecho de um bonito texto do autor Thomas Moore sobre a delicadeza que é a psicoterapia. Lembrando, como ele bem retoma, que a palavra psicoterapia significa "tratar a alma". Sua perspectiva é fortemente influenciada por Jung e James Hillman. Para ler o texto na íntegra, mande uma mensagem que nós o enviaremos!

    Na mitologia grega, o sábio curador e professor Quíron é parte cavalo e parte humano, um centauro de linhagem, porém muito diferente de seus irmãos meio cavalo/meio humano selvagens e bem pouco civilizados.
    Ele exerceu a arte de curar e ensinar em uma caverna.
    Como terapeuta, às vezes penso em mim como parte animal, sentado em minha caverna lidando com aspectos principais da existência humana, muito pouco capaz de diferenciar a cura do ensino.
    O terapeuta moderno parece achar que os problemas vão até ele ou ela como desvios do padrão de normalidade e de saúde. A questão premente é recuperar uma pessoa até um ponto em que os sintomas presentes sejam removidos, como se por uma cirurgia psicológica.
    Não vejo dessa forma.
    As pessoas vêm até mim porque, no fundo, elas não conseguem sentir a alegria de ser quem são. Não sentem o lado positivo da vida. Elas se sentem presas em um padrão repetido que parece recuar na história. Muitas vezes estão focadas em, ou melhor, fascinadas por um sintoma como a obsessão ou paranoia ou ansiedade. De modo geral, é a natureza da vida seguir, como um rio, e não ficar presa ou parada.
    Sempre que quero seguir uma linha em meu trabalho como psicoterapeuta, volto a pensar na palavra “Psicoterapia”
    Ela é feita de dois termos gregos importantes: psique (alma) e terapia (tratar).
    “Psicoterapia” significa “tratar a alma.” Psique não é mente ou comportamento e terapia não significa cura nem melhora. Sempre tenho em mente que meu trabalho é tratar a alma ou cuidar dela. Quando usei uma frase antiga, comum na literatura platônica, como o título de meu livro mais popular, Care of the Soul (Cuidado da Alma), simplesmente coloquei a palavra “psicoterapia” em inglês.
    Penso na alma como a vida em nós que é imensuravelmente profunda.
    Às vezes, é como se fosse uma primavera ou a fonte da existência, que nos faz sentir vivos e nos dá algo como uma direção e identidade. Até certo ponto, é autônoma, tendo seus próprios objetivos, desejos e intenções.
    Ao analisar de forma mais profunda, você encontra temas e padrões humanos básicos, o que Platão e Jung, além de outros, chamam de “arquétipos.”
    A necessidade de amor, o desejo de criar, o conforto do lar, a excitação de uma viagem – essas não são as características de uma pessoa particular. Elas são, no mínimo, possivelmente maneiras pelas quais todas as pessoas podem sentir a vida.
    Quando esses padrões de arquétipos entram na vida de uma pessoa, geralmente possuem uma grande força e fascínio.
    Você está feliz por estar apaixonado e não pensa em outra coisa. Você tem medo de ficar doente e da morte e, essa emoção, com seus pensamentos arraigados, dá a você sustentação. Você vislumbra certa carreira e corre atrás com paixão.
    A alma é íntima, cheia de vida, vitalidade e energia. Parece querer constantemente mais vida e vitalidade e, portanto, pode ser uma ameaça para o status quo.
    Quando você cuida de sua alma, pode tentar sentir o que precisa e deseja e pode descobrir que suas necessidades podem não combinar com seus próprios desejos.
    Nesse espírito, o poeta irlandês W. B. Yeats disse que sua poesia surgiu de uma tensão entre suas próprias ideias e aquelas de um eu contraditório que sentia dentro dele.
    Vejo que, esse outro ser em nós, a alma, é mais vasto que aquilo que nossas pequenas mentes podem conter.
    É forte e misterioso e, às vezes, um adversário real. Nosso trabalho é tentar conhecer a alma e cooperar com ela, entender que nossa felicidade e paz no coração dependem de uma resposta positiva e criativa a ela. A psicoterapia poderá simplesmente implicar em viver de uma maneira condizente com a alma e seus propósitos.
    A alma oferece um sentido profundo e poderoso de identidade que contraria qualquer tendência a ser captada nas compreensões e valores limitados da família ou da cultura. Pede que cada um de nós nos tornemos indivíduos não tão identificados com as estruturas que nos cercam.
    Essa necessidade é tão forte que a imagino no cenário familiar do renascimento: nascemos em uma vida e cultura biológicas e, então, temos que nascer novamente em nossa própria individualidade e exclusividade.
    Juntamente com Sócrates, descreverei a psicoterapia como um tipo de maiêutica ou de obstetrícia. Temos que auxiliar no nascimento da alma para a vida, o que implica na chegada de uma única pessoa.
    Sócrates disse: “Minha preocupação não é com o corpo, mas com a alma que está no fruto do nascimento” (Theatetus, 150 b).

    Bruno Soalheiro- A psicoterapia como o Cuidado com a Alma.

  • Poema em linha reta

    Em tempos em que observamos a felicidade editada nas redes socias, a busca a todo momento pela exposição daquilo que se tem de melhor, este poema nos leva à reflexão.


    Poema em linha reta
    Fernando Pessoa
    (Álvaro de Campos)

    

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

    E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo,
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó príncipes, meus irmãos,

    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?

    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
    
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

    Fernando Pessoa

  • Estresse no trabalho causa até ‘colapso’ no apetite

    Desentendimento com a chefia, falta de cooperação entre colegas, sobrecarga de tarefas, prazos, metas a bater, insatisfação salarial, pouca expectativa de ascensão profissional, promessas não cumpridas, falta de interesse pelas atividades… Se os estímulos estressores presentes no ambiente de trabalho são muitos, suas consequências também são. E a alteração da rotina alimentar é uma das mais comuns e menos reconhecidas pelos profissionais, segundo especialistas. De acordo Edward Goulart Júnior, que é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em psicologia organizacional e do trabalho, hoje, o lado profissional tem lugar de destaque na vida das pessoas e pode se configurar como a principal fonte de estresse, principalmente com os espaços cada vez mais competitivos e com acentuadas mudanças tecnológicas. “Estar estressado é apresentar um conjunto de sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, que atrapalham e minimizam a qualidade de vida do indivíduo. E vale lembrar que o que se caracteriza como estressor para uma pessoa, pode não ser para outra”, acrescenta. Mas não é somente nas atividades profissionais que estão as fontes estressoras. Segundo o especialista, um acontecimento positivo ou negativo, frustrações, morte de um ente querido, a chegada de um filho ou mesmo questões ambientais como poluição, excesso de ruídos e temperatura podem ser fontes estressoras. Quando afeta o prato Maria Elisa Gisbert Cury é psicóloga e membro do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (Proata) da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Ela aponta que a literatura científica mostra que o hábito de comer é um dos fatores que mais sofre alterações em decorrência do estresse. Segundo a especialista, entre os profissionais mais propensos ao “colapso” de apetite estão os que trabalham no período noturno e os que trabalham sem horários ou rotina regulares. Entretanto, tal alteração varia de acordo com elementos como a personalidade da pessoa, a intensidade do evento estressor, além de fatores culturais. As consequências do estresse podem ser de ordem física, emocional e comportamental. Segundo Cury, as alterações do apetite, fazem parte das alterações comportamentais, assim como a mudança no padrão de sono. E o problema não está apenas em comer demais, mas também em deixar de comer. E comer de menos é o caso, por exemplo, da bacharel em direito Ana Carolina Borges. Administrar o trabalho durante todo o dia e os estudos à noite até que é tarefa fácil para a moça. Difícil mesmo é cuidar da alimentação durante essa “correria”. “Sinto-me estressada e cansada física e mentalmente. Nos dias mais tensos eu como muito rápido ou nem almoço, isso porque eu acabo não sentindo fome mesmo. No trabalho, temos um tempo de descanso, mas os lanches que levo acabam voltando na bolsa”, diz. Mesmo sabendo que deve olhar melhor para a alimentação, a estudante confessa que emagreceu dois quilos em poucos meses por se preocupar demais com as atividades diárias e muitas vezes esquecer de comer. Uma sondagem feita com mil profissionais em 2010 pela International Stress Management Association (Isma-Br), associação que estuda o estresse, aponta que 21% deles se alimentavam compulsivamente em momentos de estresse e 11% reduziam a quantidade de comida. Confirmando os números, Cury explica que é comum o relato de pacientes que passaram a ingerir grandes quantidades de alimentos com a sensação de falta de controle após terem enfrentado situações de estresse. “A compulsão alimentar oferece uma sensação de alívio momentâneo. Em seguida vem a culpa, a autorrecriminação e, obviamente, o conflito no trabalho não é resolvido. A necessidade aqui é emocional e não física”. Direto na fonte De acordo com Cury, é preciso encontrar a fonte geradora do conflito para, assim, encontrar formas de tolerar as emoções sem “descontar” na alimentação. Esse é o primeiro passo. A psicóloga salienta que também há estratégias práticas para aliviar a tensão e o estresse, como exercícios físicos e técnicas de relaxamento. Entretanto, quando a pessoa não consegue chegar a uma resolução sozinha, o ideal é mesmo procurar um profissional qualificado. Segredo é saber administrar “Uma vida sem estresse é humanamente impossível e até indesejável. Isso se aplica também sobre o estresse ocupacional. Conflitos e situações disfuncionais no trabalho são inevitáveis. A questão não é evitar essas condições e sim, saber administrá-las”, afirma o especialista em psicologia organizacional e do trabalho Edward Goulart Junior. Para o psicólogo, as políticas e práticas de gestão, sobretudo de pessoas, podem favorecer um ambiente de trabalho mais produtivo e saudável. Ele aponta que o problema se instala quando os valores econômicos se sobrepõem aos valores humanos. O grande desafio desses espaços é equilibrar os interesses individuas com os interesses organizacionais. De acordo com Edward, os profissionais responsáveis por desenvolver e gerir as políticas e práticas de gestão de pessoas precisam, além de estarem bem preparados e formados, atuarem efetivamente em ações promotoras de saúde, desenvolvimento e respeito humano. Alimentação ajuda a mudar o jogo Para quem passa o dia todo fora de casa, a dica é não abrir mão de barras de cereal, lanches rápidos e frutas que podem ir na bolsa Ana Paula Pessoto A indisposição, o mal-estar e até a irritabilidade que fazem parte da rotina de boa parte dos trabalhadores podem ser causadas ou mesmo agravadas pela má alimentação. E se o estresse pode desencadear alterações no apetite, nos próprios alimentos está uma das formas de combater essa alteração alimentar. Segundo especialistas, em um quadro de estresse é comum que ocorra a diminuição dos níveis de serotonina, substância ligada ao controle do ritmo de elementos do ciclo biológico, entre eles o sono e o apetite. “Quando os níveis de serotonina caem, ocorrem a depressão e a tendência ao aumento de peso ocasionado pela procura de alimentos, principalmente os energéticos como chocolates, doces, pães e massas, que são estimulantes naturais de serotonina”, explica a nutricionista da ViaNutri, Adriana Godoy. Outra combinação explosiva para o organismo e bastante comum é a rotina acelerada e a falta de descanso. Godoy também explica que o estresse e a ansiedade são capazes de ocasionar uma espécie de fome emocional, o que é bastante conhecido por quem “desconta” os problemas na comida. Quem já passou por isso foi o empresário Vitor Alves e Silva. Por causa do estresse com a rotina de trabalho, ele acredita ter engordado sete quilos em dois meses: “Cheguei a trabalhar 16 horas por dia. Eu acabava descontando meu nervosismo na comida, principalmente em guloseimas e frituras durante o dia”, conta. E além dos quilos extras surgiram outros problemas como apneia do sono e aumento nas taxas de triglicérides e colesterol ruim: “É como um ciclo”, define. O comer exagerado gera quilos extras e problemas como hipertensão e aumento nos níveis de colesterol. Por outro lado, restringir a quantidade de alimentos também pode desencadear problemas sérios, como quadros de anorexia nervosa. Remédio na geladeira Mas como combater o estresse através da alimentação? De acordo com a nutricionista, alguns alimentos podem liberar hormônios capazes de reduzir dores e fazer com que o bem-estar, qualidade de sono e disposição melhorem significativamente. “Entretanto, o primeiro passo para se beneficiar dos alimentos é ter um cardápio organizado com nutrientes na medida certa. Alguns alimentos, como o repolho, o aipo e o maracujá podem acalmar e combater a irritabilidade que pode nos acompanhar facilmente na rotina”, explica Godoy. Ainda segundo a nutricionista, a alimentação balanceada é a indicada tanto para quem come em excesso quanto para quem tem falta de apetite. Refeições que incluam vegetais, frutas diversas, leguminosas, cereais e hortaliças são as ideais. O consumo dessas substâncias fortalece o sistema imunológico, além de reduzir o risco de uma série de doenças, entre elas as de ordem emocional e comportamental, como o estresse e a irritabilidade (Veja no infográfico algumas das principais fontes de substâncias protetoras). Falta tempo? Nem mesmo quem tem a rotina agitada tem desculpa para não se alimentar adequadamente. Nutricionistas orientam a levar barrinhas de cereais e até mesmo balas de colágeno na bolsa, elas saciam a fome e são de baixa caloria. E Vítor é exemplo disso. Apesar dos dias cheios, ele agora reserva um tempo para a academia e procura melhorar a alimentação. No lugar dos lanches e salgados fritos durante o dia, entraram as frutas, barrinhas de cereais e biscoitos integrais que não faltam no escritório. “Antes eu comia quando dava fome e sempre exagerava na quantidade, na gordura e no carboidrato. Agora procuro incluir pequenos lanches saudáveis entre as refeições. E, apesar da mudança ser recente, já percebo uma boa melhora, até mesmo no meu humor”, diz. Godoy ensina que um sanduíche prático e saudável preparado em casa com pão de forma integral, queijo branco, legumes como a cenoura e verduras como alface também são boas dicas. Já cereais como aveia, linhaça, chia ou granola podem ser acrescentados em iogurtes ou sucos. “Eles deixam o intestino saudável para absorver melhor os nutrientes”. Muito importante também é prestar atenção na mastigação durante as refeições. Sendo lenta, ela faz com que o cérebro envie mensagem de saciedade. Fracionar os alimentos em seis refeições diárias é o aconselhável. Outra recomendação é beber cerca de dois litros de água por dia.


    Entrevista concedida por Maria Elisa ao Jornal da Cidade

  • Confissões libertadoras

    Uma forma interessante, pela neurociências, de entender a mentira:

    Quem "sai do armário" costuma relatar a experiência como libertadora –mesmo que a admissão muitas vezes infelizmente dê início a várias novas dificuldades na vida. Quem recentemente ouvi falar sobre isso foi o ator americano George Takei, que fez história pela primeira vez como o Sr. Sulu da série Star Trek, mas hoje é igualmente conhecido por seu ativismo pelas causas de gays, lésbicas e demais pessoas discriminadas por suas preferências sexuais.

    Takei somente "saiu do armário" (e logo se casou com seu parceiro de longa data) aos mais de 60 anos de idade, em 2005. E, aos 60 e tantos anos, se sentiu aliviado de poder finalmente se dizer o que é, sempre foi e continuará sendo.

    Por que admitir publicamente o que se é pode ser algo tão poderoso, se não muda quem se é? Minha resposta é "porque suprimir informação verdadeira dá muito trabalho para seu córtex pré-frontal".

    Nossa identidade é construída e personalizada ao longo da vida conforme, entre vários outros fatores, aquelas associações que nos dizem respeito vão se reforçando no cérebro, formando redes de informações que acontecem em conjunto: "Suzana" era o nome que eu ouvia associado às minhas ações, junto com os conceitos "Rio de Janeiro" (onde nasci), os nomes dos meus pais. Por serem a minha verdade, essas associações se tornaram tão fortes que minha tendência automática hoje é responder com essas palavras à simples menção de "cidade" ou "nome dos pais". Faça você mesmo o experimento para testar: diga rapidamente seu nome, os dos seus pais, e onde você nasceu.

    Agora, experimente responder de novo, igualmente rápido, mas com quatro mentiras seguidas. Duvido que consiga. Você hesitará, primeiro fazendo força para suprimir mentalmente as respostas automáticas, verdadeiras, e depois procurando alternativas passáveis –ambos os processos cortesia do seu córtex pré-frontal, a área cerebral que supervisiona ações em construção e tem poder de veto antes que elas se concretizem. Mentir dá trabalho.

    Imagine, agora, passar sua vida fazendo esse constante esforço pré-frontal, atento para omitir não apenas uma informação fundamental a respeito da sua identidade, mas também qualquer pista relacionada. Se mentir durante um dia já cansa, viver no armário só pode ser exaustivo, qualquer que seja a admissão ocultada. Poder dizer o que se é e o que se pensa deveria ser a norma. Mas, cortesia da patrulha de plantão, acaba sendo um alívio.

    Fonte: Suza Herculano-Houzel- Folha de SP

  • A solidão amiga

    A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…

    Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música… Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.
    (...)

    Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

    Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga… Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:

    “Por muito tempo achei que a ausência é falta.
    E lastimava, ignorante, a falta.
    Hoje não a lastimo.
    Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
    E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
    que rio e danço e invento exclamações alegres,
    porque a ausência, essa ausência assimilada,
    ninguém a rouba mais de mim.!“

    Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia… Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

    “Ó solidão! Solidão, meu lar!… Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

    (...)
    Para ler este belo texto na íntegra acesse: rubemalves.wordpress.com

    Rubem Alves

  • The effects of repetitive transcranial magnetic stimulation in obese females with binge eating disorder: a protocol for a double-blinded, randomized, sham-controlled trial.

    BMC Psychiatry. 2015 Aug 12;15:194. doi: 10.1186/s12888-015-0569-8.
    The effects of repetitive transcranial magnetic stimulation in obese females with binge eating disorder: a protocol for a double-blinded, randomized, sham-controlled trial.
    Maranhão MF1, Estella NM2, Cury ME3, Amigo VL4, Picasso CM5, Berberian A6, Campbell I7, Schmidt U8, Claudino AM9.
    Author information
    Abstract
    BACKGROUND:
    Binge eating disorder is a new category in DSM-5 and highly associated with higher body mass index. The neural mechanisms that underlie binge eating are of great interest in order to improve treatment interventions. Brain mechanisms underlying drug and food craving are suggested to be similar: for example, both are reported to be associated with increased neural activity in the orbitofrontal and anterior cingulate cortex, and a diminished regulatory influence from lateral prefrontal circuits. Several studies have begun to assess the potential benefits of brain stimulation in reducing craving and addictive behaviors. Data from a study of a one-off session of transcranial magnetic stimulation in healthy women identified as strong cravers and of individuals with bulimic-type eating disorders, reported a reduction in food craving and binge eating episodes. This provides support for a more extensive investigation of the potential therapeutic benefits of transcranial magnetic stimulation. Lastly, brain imaging studies and a dimensional approach, will improve understanding of the neural correlates of the disorders and of the mode of action of transcranial magnetic stimulation.
    METHODS/DESIGN:
    Sixty eligible obese females, with binge eating disorder, will be randomly allocated to receive 20 sessions of transcranial magnetic stimulation intervention (n = 30) or the sham transcranial magnetic stimulation intervention (n = 30) scattered 3 days/week. Thirty eligible controls will complete the baseline assessment. The primary outcome (number of binge eating episodes) will be assed at each treatment sessions, and 8 weeks after intervention completion (follow-up). It is hypothesized that mean weekly binge-eating episodes will be reduced in the intervention group, compared to the sham group, and that the effect will be maintained at follow-up.
    DISCUSSION:
    Despite the severity associated with Binge Eating Disorder, there are limited treatment options. This study is an important step in the development of more effective treatments. Importantly, the study is the first to investigating binge eating disorder using a dimensional approach, by looking at the different aspects of the disorder, such as behavioral factors, biological factors, brain circuits and chemistry.

    Equipe TMS-PROATA. E eu, Maria Elisa, sou responsável pela parte da avaliação neuropsicológica deste estudo.